Na redação, aluno precisa optar por novo ou antigo acordo ortográfico


Na redação, aluno precisa optar por novo ou antigo acordo ortográfico

Misturar as regras resulta em penalização por falha gráfica, diz professora.
Período de transição começou em 2008; a partir de 2016, só regra nova vale.

Do G1 PE

Com o passar dos anos, a língua portuguesa vem se modificando. Por isso, em 1990, o Brasil e outros seis países - Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Portugal - assinaram um novo acordo ortográfico com o objetivo de unificar a língua portuguesa e a grafia nos países lusófonos. A partir de 2016, o uso da nova ortografia será obrigatório. A professora de redação Fernanda Bérgamo dá algumas dicas para não errar na acentuação e no uso do hífen, na reportagem exibida nesta terça (14) pelo Projeto Educação.

Desde 2008, o usuário da língua portuguesa tem o chamado período de transição para se adaptar às novas regras. Mas, de acordo com a professora, durante o período, não se pode registrar o velho e o novo acordo no mesmo texto. "Se você, por exemplo, já tirar da sua redação o uso do trema, isso significa que não pode mais acentuar 'ideia', porque será penalizado por falha gráfica. Então ou você assume, no seu texto, totalmente o novo acordo ortográfico ou você aproveita o período de transição para dominar as regras e passar a usá-lo apenas com segurança", diz.

Com o novo acordo, algumas letras passaram a fazer parte do nosso alfabeto: K, W e Y. "Essas letras eram chamadas de 'pseudoletras'. Hoje, o alfabeto português, em vez de 23 letras, tem 26, com a inclusão delas", detalha Fernanda.

Alguns acentos deixaram de ser usados, como o trema, e algumas palavras passaram por uma mudança na acentuação. "É por essa razão que nós não acentuamos mais 'estreia' ou 'plateia'. Agora observem: a palavra 'herói' continua a ser acentuada, porque ela é uma oxítona. Só caiu o acento na paroxítona que recebe o ditongo aberto", explica.

A palavra "voo" perdeu o acento também devido à nova regra. Os acentos diferenciais das palavras também caiu, como acontece em "para", "pela", "polo" e "pera".

Hífen
A ideia de que os opostos se atraem e os iguais se afastam, conhecida na matemática e na física, agora também pode ser aplicada na língua portuguesa em relação ao uso do hífen, de acordo com a nova ortografia. Palavras como "micro-ônibus", "micro-ondas", "anti-inflamatório", "super-romântico" e "super-resistente" agora são grafadas separadas. "Se o prefixo terminar com uma vogal e a palavra seguinte começar pela mesma vogal ou se o prefixo terminar com uma consoante e a palavra seguinte começar pela mesma consoante, obrigatoriamente você utilizará o hífen", explica a professora.

A única exceção a essa regra é o prefixo "co". "Segundo essa regra, 'coordenação' e 'cooperação', por exemplo, teriam que ser separadas por hífen, mas nós vamos continuar grafando essas palavras como sempre fizemos", diz.

Mais uma regra do uso do hífen: se o prefixo terminar em uma letra e a primeira letra da palavra seguinte for diferente, junta-se as palavras. É o que acontece, por exemplo, com as palavras "infraestrutura", "antiético", "superamigo", "ultrarresistente" e "antissocial". "Observem, por exemplo, que, se o prefixo terminar por uma vogal e a palavra seguinte começar por 'r' ou por 's', você junta, sim, mas precisa dobrar o 'r' ou o 's'", ressalta a docente.

O hífen também deve ser usado quando a palavra seguinte começar com a letra "h", independentemente do prefixo. Por exemplo: "super-homem", "anti-higiênico", "mal-humorado" e "anti-horário". A única exceção a essa regra é a palavra "subumano", que é grafada junta e sem o "h".

Em alguns casos, o uso do hífen é obrigatório. "Há nove prefixos - ex, vice, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró - que, em todas as situações, diante de qualquer palavra, você usará hífen. Portanto ´ex-marido´, ´sem-terra´, ´pós- graduação´, ´pré-vestibular´, ´recém-casado´, ´além-mar´ com hífen, não tenha dúvida", afirma.


Tags Relacionadas
vestibulares dicas estudos redação


Blog