Divulgação de desempenho no Enem gera polêmica


Divulgação de desempenho no Enem gera polêmica

Escolas são suspeitas de fazer manobra para “maquiar” resultados no Exame Nacional de Ensino Médio

 06-08-2015 00:00

   

Thiago Burigato

Adivulgação do desempenho de escolas públicas e particulares do país no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), suscitou novamente muitas polêmicas. Uma delas seria a possibilidade de um “maquiamento” das notas, inclusive em escolas goianas.

O próprio Inep, ao tornar públicas as informações, ressaltou que os resultados devem “ser considerados com cautela, uma vez que a participação dos estudantes no exame é voluntária”. “Por esta razão, a representatividade dos resultados varia de acordo com o percentual de participação de estudantes em cada escola”, completa a nota.

O Colégio Olimpo, em Goiânia, teve a terceira melhor nota no Exame. A média do colégio particular da capital foi de 735 pontos. A escola goiana com o pior desempenho foi o Colégio Estadual Eurípedes Barsanulfo, de Palmelo, no sudeste do Estado, com média de 423,6.  A escola estadual é, inclusive, dona da nona pior média do País.

Especialistas ouvidos pelo O HOJE são unânimes ao afirmar que os resultados do exame são incompletos para demonstrar a realidade da educação no país. “A prova do Enem é um índice para avaliar a qualidade da educação, mas não é o único instrumento. Não podemos desconsiderar os resultados, claro, mas também existem vários outros elementos que devem ser levados em conta”, explica a professora Maria Cristina Dutra Mesquita, doutora em Educação e docente na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).

Um dos principais pontos que se percebe ao analisar os dados do Inep é a discrepância nas notas entre alunos de escolas particulares e os de escola pública. Em Goiás, apenas duas escolas estão entre as 100 com melhores notas no país, ambas particulares. Por outro lado, há seis entre as 100 piores – todas estaduais.

Condições econômicas

A professora Maria Cristina destaca que mesmo esse indicativo deve ser analisado com atenção. “É complicado comparar coisas bem distintas. Alunos que têm condições econômicas melhores têm aporte em casa, pode ter aulas de reforço, têm às mãos umas série de materiais, como livros e acesso à internet, sem contar que podem se dedicar totalmente aos estudos e raramente precisam trabalhar”, pontua. Ela lembra que mesmo a escola pública de Goiás que obteve o melhor índice em Goiás, na cidade de Posse [Colégio Municipal Castro Alves, que ficou em 2.622º no ranking nacional, com nota 568,00], está em uma região cujo índice econômico é alto.

O secretário executivo do Conselho Estadual de Educação (CEE), Marcos Elias Moreira, concorda com a adoção de cautela na analise dos números do Enem. “Pesquisas indicam que há diferenças significativas em padrões de riqueza dentro da sociedade. Claro que esses padrões influenciam nos processos avaliativos, não só no Brasil, mas internacionalmente”, diz. Ele ressalta também que há escolas que focam especificamente em obter de seus alunos os melhores resultados no Enem, o que não infere necessariamente em melhor qualidade de ensino. 

Diretor de escola nega “maquiagem” de dados 

A discussão sobre os dados divulgados ontem pelo Inep levantou a suspeita de algumas escolas particulares pelo país estariam  “maquiando” dados, para obter uma boa avaliação no desempenho do Enem. Não é de hoje que se levanta a hipótese de que colégios particulares criarem novas unidades, com CNPJ diferente, mas da mesma rede ou com mesmo nome fantasia, onde são registrados os melhores alunos. O intuito seria garantir boas notas de forma a realçar o nome das instituições.

Em 2014, a discussão ganha um contorno a mais com a constatação de que nove dos 10 colégios com as melhores notas em nível nacional têm menos de 60 alunos em seus quadros. Além disso, dados levantados pele Inep neste ano revelam que sete dos dez estabelecimentos tiveram índice de permanência igual ou menor que 60% -- o índice refere-se à quantidade de alunos que cursaram todo o Ensino Médio na mesma instituição. 

O Colégio Olimpo Integral, em Goiânia, apontado como aquele com melhor desempenho em Goiás (com nota 735,02), é acusado por diretores de outras instituições privadas de fazer esse “maquiamento”. A unidade tem um total de 40 alunos (36 participaram do exame) e tem um índice de permanência de apenas 20%. No entanto, o diretor da escola, Rodrigo Bernadelli, rebate as acusações. "O Olimpo está em Goiânia desde 2004 e possui três unidades na cidade. O Olimpo Integral é novidade apenas para o Ensino Médio, pois a unidade já funcionava para o Ensino Fundamental”, explicou ao O HOJE. “Os alunos do Integral são alunos do Olimpo, que estão com a gente desde o primeiro ano do Ensino Médio. O que mudou foi o modelo da escola”, esclarece. 

   


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