Turmas especiais, só com melhores alunos, fazem ranking do Enem ser ilusão


Turmas especiais, só com melhores alunos, fazem ranking do Enem ser ilusão

Mário Magalhães

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Se alguém pretende escolher a escola dos filhos com base no ranking do Enem 2014, divulgado hoje, cuidado: em muitos casos, o resultado é uma ilusão.

Com propósitos de marketing, alguns estabelecimentos privados, tradicionais e com muitos alunos constituíram CNPJs à parte, formando “colégios'' integrados exclusivamente por estudantes de alto rendimento.

É por isso que certas instituições aparecem com um nome acrescentado ao habitual. Participaram do Exame Nacional do Ensino Médio com as chamadas turmas especiais, nas quais os alunos medianos não têm lugar.

Não entrarei em detalhes, porque não se trata de fenômeno localizado, mas de recurso que se disseminou país afora, de São Paulo a Fortaleza, passando pelo Rio.

Nos dez primeiros lugares do ranking conhecido hoje, só um colégio teve mais de 58 participantes.

Outro engano da análise acrítica é ignorar o desempenho em redação. A sétima colocada, nos critérios oficiais do Inep, que excluem a redação, foi somente a 395ª neste quesito.

Ocorre que muitas faculdades conferem, ao selecionar os novos universitários, peso significativo à nota de redação.

Chama atenção a reedição do sucesso de escolas que no passado foram associadas a esquemas ilegais no Enem. O tempo dirá se evoluíram de fato. Tomara que sim.

O ranking expõe pela enésima vez a desigualdade brasileira. As escolas públicas estão muito atrás das particulares. E ainda há quem fale em “meritocracia'', omitindo que as chances são desiguais, desde o abismo da qualidade de ensino. Por isso as cotas são necessárias.

Deve-se comemorar a ascensão de alguns colégios públicos. Quase sempre, além do empenho dos alunos, o que determina o êxito são os professores. No final das contas, os mestres fazem a diferença.

(Registro: mesmo que não houvesse a armação das “turmas top'', ninguém deveria escolher a escola do filho com base no Enem. Pelo menos não como critério único. Palavra de ex-estudante de pedagogia.)

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